Em 23/06/2020

 

Repressão sanitária apaga uma das principais tradições juninas de Itaporanga e do Vale

 



          Por Isaías Teixeira/Redação da Folha/Sousa Neto – Nunca imaginaríamos viver um tempo de tanto proibicionismo: sufocada por leis e decretos sanitários, a população regional sente-se presa e oprimida, mas acata e silencia. É o peso do Estado sobre sua vida: do trabalho ao entretenimento, da caminhada ao ar que se respira, tudo é controlado pelos governos por meio de uma grande repressão sanitária. Ironicamente, as medidas impostas legalmente são a pretexto de defender a saúde de um povo  que nunca teve, sequer, um hospital que preste ou um posto de saúde que funcione a contento, exatamente por omissão desses mesmos governos.

           E nem a nossa antiga e tradicional fogueira junina resistiu em tempos de corona. Quem acender fogueiras na zona urbana em qualquer um dos vinte municípios do Vale ou da Paraíba na noite desta terça-feira, 23, para festejar o tradicional São João, poderá pagar uma multa no valor superior a 500 reais, e o castigo pecuniário cresce em caso de reincidência. É o que determina uma lei estadual, em vigor desde o último sábado, 20.

          A lei valerá enquanto perdurar a pandemia do novo coronavírus. Isso quer dizer que será proibido o acendimento de fogueiras nas cidades na noite de São Pedro, festejado no próximo domingo, 28, e até mesmo as comemorações juninas fora de época.

         De autoria do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa Adriano Galdino, a medida legal está em consonância com uma Recomendação do Ministério Público da Paraíba (MPPB). O fundamento são informações de profissionais de Saúde, segundo os quais a fumaça das fogueiras poderiam prejudicar o processo respiratório das pessoas que estão acometidas, recuperadas ou em suspeição da covid-19. O Sars-CoV-2 ataca ferozmente os pulmões e, com um inimigo a mais, que no caso seria a fumaça, o paciente em recuperação poderá ter agravamento no seu quadro de saúde.

          Alguns municípios do Vale, como Coremas, Piancó e Diamante publicaram decretos proibitivos antes mesmo da aprovação da aprovação da lei estadual, conforme informaram em seus sites e redes sociais. O documento, segundo as respectivas Prefeituras, proíbe não apenas a realização das fogueiras, mas também a soltura de fogos de artifício, e com amplitude em todo o território municipal, conforme orienta o MPPB, ou seja, vale para quem mora na cidade e também no campo.

         Em Itaporanga, que ontem registrou novo aumento de casos da covid, agora com 29 pessoas já contaminadas pela doença, não há informações de algum decreto publicado pela Prefeitura local adequando o município à lei estadual ou à Recomendação do Ministério Público.

          Mas, nesta terça-feira, em uma rede social, a Prefeitura publicou uma arte afirmando que “Seguindo recomendações do Ministério Público (REC. N° 22/2020), fica proibido acender fogueiras e soltar fogos de artifício durante os festejos juninos em perímetro urbano de Itaporanga”. 

          Pandemia cresce no estado e no Vale – Nessa segunda-feira, 23, a Paraíba chegou a 37.253 pessoas que contraíram a covid-19, dos quais 784 morreram. No Vale, mais de 180 pegaram a doença e quatro óbitos foram registrados.

          

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 
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