Em 09/09/2019

 

Folha identifica família de Itaporanga mostrada no Jornal Nacional em retrospectiva sobre estio

 



           Por Redação da Folha – Hoje, próxima dos 55 de idade, a agricultora Nazélia Gomes Soares (foto) ainda lembra a manhã de 46 anos atrás: recorda que três homens estranhos chegaram a casa onde ela vivia com seus pais, Manoel Gomes de Alexandria e Terezinha Soares da Silva, no sítio Vaca Morta, município de Itaporanga. Eles queriam saber a situação da família. Era começo da década de 1970, tempo de seca e dificuldades. Ela tinha então 9 anos, e é a menina que aparece na imagem ao lado da mãe.

            Os homens eram repórteres e um produtor da TV Globo, que faziam uma matéria sobre a seca que, naquele ano, deixou muitos agricultores em situação de profundas dificuldades no Sertão nordestino. Bateram à porta do seu Manoel Gomes e de dona Terezinha, que então moravam na propriedade de Edval Figueiredo.

             Dona Terezinha deu um depoimento comovente, ao relatar diante da câmera que não havia nada para comer: estava de fogo apagado. O menino que aparece em seus braços é o caçula da família, Antônio Gomes de Alexandria, conhecido popularmente na cidade como Sabugo, que, por coincidência, teve a casa incendiada na semana passada e precisou apelar para a solidariedade pública.

            Em contato com a Folha nesse domingo, 8, Nazélia contou que seus pais, Manoel e dona Terezinha, já são falecidos e lembrou outros momentos de sua infância no sítio Vaca Morta. “Nos anos de seca, meu pai fazia cangalha para vender na feira, inclusive, no momento que a reportagem chegou, ele estava com uma carga pronta e de saída para a cidade”, comentou.

           Lembra também que os repórteres ficaram tão comovidos com a situação da família que doaram alimentos e dinheiro para o seu pai. “Lembro que meu pai foi muito feliz para a cidade e trouxe muitos mantimentos para casa: sacos de milho e feijão”, recorda.

            Como naquela época não havia televisão no sítio e eram poucos os aparelhos de TV na cidade, Nazélia diz que a família nunca teve oportunidade de assistir a reportagem e nunca soube bem do que se tratava. “Eu lembro que vizinhos disseram a meu pai que ele não deveria ter recebido a doação, porque aquele dinheiro era da besta fera, mas meu pai nunca deu importância a essas conversas”, diz em tom de riso. Hoje a agricultora tem uma moradia na Rua Balduino de Carvalho, centro da cidade, mas trabalha no sítio Emas: vive da roça desde a infância.

            Tudo poderia ter ficado para sempre no esquecimento, mas na semana passada, o Jornal Nacional, da TV Globo, mostrou um retrospecto de reportagens que produziu sobre o país nas últimas cinco décadas em comemoração aos seus 50 anos. Entre os fragmentos de reportagens que exibiu, imagens e o depoimento de uma família de Itaporanga. A Folha produziu uma matéria sobre o assunto e logo chegou ao conhecimento de Nazélia, através de uma filha, que reconheceu de imediato a mãe e os avós nas imagens printadas do vídeo.

            Dona Nazélia diz também que nunca imaginou que, depois de 46 anos, fosse ver as imagens daquele tempo, na verdade ela nem sabia da existência dessas imagens: mas, surpreendentemente, aparece ao lado dos pais e dos irmãos Manoel e Antônio no maior telejornal do Brasil. Aquele era um tempo de dificuldades, recorda, mas de felicidade também: o aconchego da casa humilde e o carinho dos pais, as brincadeiras de criança, a inocência, a pureza do tempo, o tempo de chuvas: os banhos no açude e fartura em casa.

          

 

 

 

 

 

 


 

 

 
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