Em 07/04/2021

 

Deficiente, poeta perde seu transporte para multas e ainda fica fora do auxílio para artistas em Itaporanga

 



         Por Redação da Folha - Em plena pandemia, um artista portador de necessidades especiais bem que poderia ter um maior apoio do poder público, mas, no caso do poeta popular J. Sousa, uma figura conhecida e querida na cidade, foi exatamente o contrário: ele perdeu seu transporte para a insensatez das multas aplicadas pela Prefeitura e, para piorar, não foi contemplado pelo município com o dinheiro do auxílio destinado aos artistas através da lei federal Aldir Blanc.

         Para atravessar as dificuldades atuais, o poeta conseguiu imprimir alguns cordéis e está vendendo nas ruas da cidade, expondo-se ao risco da pandemia. “Não, eu não recebi esse dinheiro que veio para os artistas, não sei nem como foi isso, não tomei conhecimento”, comentou o repentista, ao revelar que outros colegas do repente em Itaporanga e que estão impedidos de realizar cantorias por causa dos decretos sanitários, também não receberam os recursos de socorro ao pessoal da arte.

         Idealizada por deputados de oposição e aprovada pelo Congresso Nacional, a Lei Aldir destinou recursos para socorro aos artistas em quase todos os municípios brasileiros no ano passado. Para a Prefeitura de Itaporanga, foram repassados mais de 200 mil reais, mas não houve um debate amplo com artistas e produtores culturais da cidade para a implementação da ajuda financeira.

         No entanto, pior do que ter ficado fora do auxílio emergencial dos artistas, foi ter ficado sem seu transporte. Depois de juntar suas economias, ele conseguiu comprar um triciclo motorizado, mas foram tantas multas que o veiculo recebeu que terminou o deficiente tendo que entregar o transporte ao antigo dono, cujo nome ainda constava oficialmente como proprietário do veículo, para compensar o prejuízo. “Eu tentei mudar a propriedade e regularizar tudo, mas o pessoal do DETRAN disse que não podia por causa das adaptações feitas na moto para eu poder rodar, mas esse pessoal da Prefeitura deveria ter um pouco de sensibilidade e bom-senso, não tinha necessidade de multar um transporte de um deficiente, porque esse transporte era meus pés e eu nunca fiz nenhuma coisa errada quando dirigia”, lamentou o poeta, que hoje voltou para sua velha cadeira de rodas movida pela força de seus próprios braços nem sempre dispostos porque já são quase idosos.

 

 

 

 

 

 


 

 

 
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