Paulo Conserva
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    Em 26/07/2017

     

    A epopeia do século

     



               Há exatos sessenta e quatro anos – 26 de Julho de 1953 -, dia consagrado a Sant’Ana, ocorreu um fato histórico na América Latina. Permitam-me, pois, meus eventuais leitores, recapitular uma página do meu livro Navegando no Exílio, na qual abordo tão heroica efeméride. A Revolução Cubana – o mais importante movimento revolucionário do Continente Americano no século passado, sofreu e ainda sofre os embates, a violência de todos os tipos de arbitrariedades e prepotência do imperialismo ianque. O governo dos Estados Unidos da América do Norte, autoproclamando-se “Defensor do Mundo Livre”, tem sido sempre o principal baluarte da contrarrevolução em todo o mundo, principalmente na América Latina, até ontem considerada uma espécie de quintal da grande potência do Tio Sam.

                Em Janeiro de 1959 o governo imperialista dos Estados Unidos sofreu – ao lado dos seus súditos latino-americanos – um grandioso golpe com o triunfo da Revolução Cubana encabeçada por Fidel Castro Ruz, movimento rebelde e patriótico que derrubou e liquidou uma das tiranias mais violentas da história americana, a ditadura cruel do “generalíssimo” Fulgencio Baptista y Zaldívar. Enquanto Baptista e seus lacaios roubavam e assassinavam o povo cubano, a chamada grande imprensa norte-americana jamais se pronunciou contra o tirano, mas, ao triunfar a Revolução, após sangrenta luta que sacrificou vinte mil pessoas naquela heroica ilha do Mar Caribe, “almas piedosas da SIP – Sociedade Interamericana de Imprensa”, fazendo ecos de preocupados interesses burgueses no Continente, vomitaram pragas, mentiram, caluniaram, no contexto geral de uma campanha desonesta, porém bem dirigida, visando a derrocada do novo regime instaurado e comandado por Fidel Castro.

               A Ilha de Cuba é um pequeno país cuja extensão territorial é de 114.424 km2. Colonizada pela Espanha, essa Nação caribenha, que hoje conta com mais de dez milhões de habitantes, foi a última da região a se tornar independente da metrópole europeia, em 1898, e a primeira a se libertar das garras sangrentas do imperialismo norte-americano, sessenta anos depois. Carlos Manoel de Céspedes, Pai da Pátria Cubana, poderoso proprietário de terras na região central da Ilha, libertou seus próprios escravos e os convocou à luta contra a metrópole colonizadora. José Martí, um dos maiores filósofos da nossa América, jornalista, escritor, poeta e consagrado orador, também tombaria, ainda muito jovem, no campo de batalha, na defesa da Pátria Cubana.

               Muitos anos depois surge no cenário nacional cubano a figura de Fidel Castro Ruz, brilhante estudante de Direito, brilhante advogado, filho de uma abastada família oriunda da Galícia e radicada na região oriental da Ilha. Formado no seio do Partido Ortodoxo, então dirigido por Eduardo Chibás, organização política que reunia centenas de jovens universitários, profissionais liberais, operários e camponeses. Com base em suas próprias experiências juvenis, alicerçado nos princípios da dignidade, abnegado, corajoso, visionário e consequente com uma causa realmente justa, Fidel Castro Ruz enfrenta, após conspirar e a preparar uma ação armada, o bastião da ditadura batistiana, precisamente o forte Quartel Moncada em Santiago de Cuba.

              A Revolução apenas começava. Dura e sangrenta foi a luta, imensas foram as traições, perseguições infindas aos combatentes vencidos naquela epopeia que só findaria com o triunfo revolucionário da Sierra Maestra a 1° de Janeiro de 1959, na companhia do guerrilheiro heroico Ernesto Che Guevara, cujas ossadas, após trinta anos, seriam resgatadas nas selvas bolivianas onde fora assassinado após ferido em combate em 8 de outubro de 1967 quando combatia com titânica bravura a tirania do general Renê Barrientos. Mas isto já é outro capítulo da recente história americana, sobre a qual comentarei noutra oportunidade. Hasta La Victoria Siempre.

     

                                                          Paulo Conserva é jornalista e escritor

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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    Em 26/11/2016

     

    Fidel: uma despedida para a história

     



               Como já sabemos, faleceu em Havana nas últimas horas o Comandante Fidel Castro Ruz, o maior líder politico- revolucionário das Américas, de todos os tempos, não apenas da nossa geração.

                Herói da Sierra Maestra, começou ainda muito cêdo e muito jovem (26 anos de idade) a sua luta contra a tirania do Fulgêncio Baptista y Zaldívar, um ditador dos mais truculentos oriundo de golpe militar unido por três conspiradores entre os quais se incluía o 3º Sargento Batista auto-promovido a General do Exército da combatida Ilha do Caribe.

               Herói de muitas batalhas, FIDEL CASTRO enfrentou a ira demoníaca de grande capital encabeçado pelo imperialismo norte-americano desde o primeiro momento do triunfo revolucionário, mancomunado com súditos latino-americanos, de encomenda, lacaios do grande capital forâneco internacional.

               Muito teria a acrescentar neste momento amargo da América Latina e, em particular do povo cubano que chora a triste perda de seu grande líder, a exemplo de José Martí, Pai da Pátria Cubana e outros tantos mártires da redenção nacional, como os IRMÃOS MACEO, CAMILO CIENFUEBOS, ABEL E HAYDÉE SANTAMARIA, Boris Luis Santa Coloma, Juan Almeida Bosque e inúmeros outros patriotas imolados nos campos e nas cidades acompanhando o grande líder revolucionário auja morte lamentamos agora.

              Muito, repito, teria a acrescentar a este comentário fúnebre mas, por agora, relembremos juntos a MENSAGEM DO COMANDANTE ERNESTO CHÊ GUEVARA AO DESPEDIR-SEDE FIDEL CASTRO QUANDO FOI COMBATER NOUTRAS TERRAS EM DEFESA DO SOCIALISMO. Vejam a seguir:

                HAVANA, 1º DE ABRIL DE 1965.

                   Fidel; lembro-me nesta hora de muitas coisas. De quando te conheci na casa de Maria Antônia; de quando você me propôs ir juntos; de toda a tensão dos preparativos. Um dia alguém passou perguntando quem deveria ser avisado em caso de morte e a possibilidade real do fato golpeou-nos a todos. Depois soubemos que era verdade, que numa revolução se rende  ou se morre. Se ela for verdadeira. Muitos companheiros ficaram ao longo do caminho para a vitória. Hoje tudo tem um tom menos dramático porque já amadurecemos, mas o fato é o mesmo. Sinto que cumpri a parte do meu dever que me ligava á Revolução Cubana em seu território e me despeço de ti. Dos companheiros, do teu povo que já é meu. Demito-me formalmente de seus postos de Direção do Partido; do meu cargo de Ministro de minha patente de Comandante, de minha condição de cubano. “NADA LEGAL ME LIGA A CUBA, APENAS LAÇOS DE OUTRO TIPO, QUE NÃO SE PODEM ROMPER COMO AS ATRIBUIÇÕES”.

                  Fazendo um rápido balanço de minha vida passada, creio haver trabalhando com suficiente honestidade e dedicação para consolidar a vitória revolucionária.  Minha única falta de certa gravidade foi não haver confiado mais em ti desde os primeiros momentos da SIERRA MAESTRA, e não haver entendido com rapidez suficiente  tuas qualidades de Líder e Revolucionário. Vivi dias maravilhosos e senti ao seu lado o orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias  luminosos e tristes da CRISE DO CARIBE (1). Poucas vezes brilhou mais alto um Estadista naqueles dias. Orgulho-me também de haver seguido teus passos, sem vacilação, identificado com a tua maneira de pensar e de ver, e de apreciar os perigos e os princípios. Outras terras do mundo reclamam o concurso de meus modestos esforços. Eu passo fazer aquilo que te é negado pela tua responsabilidade à frente de CUBA e chegou a hora de separar-nos. Saiba-se que faço isso com um misto de alegria e dor. Deixo aqui o mais puro das minhas esperanças de construtor e os mais amados dentre meus antes queridos; e deixo um povo que me admitiu como um filho; isso dilacera uma parte do meu espirito. Nos novos campos de batalha, carregarei a fé que me inculcaste, o espirito revolucionário do meu povo, a sessentão de cumprir o mais sagrado dos meus deveres. LUTAR CONTRA O IMPERIALISMO ONDE QUER QUE ELE ESTEJA; isso RECONFORTA E CURA SOBEJAMENTE QUALQUER FEIDA.

                Digo mais uma vez que libero Cuba de qualquer responsabilidade, salvo  a que emanar do seu exemplo. Se me chegar à hora definitiva sob outros céus, meus último pensamento será para este povo e especialmente para ti. Agradeço aquilo que me ensinaste e teu exemplo, ao qual tentarei ser fiel até as últimas consequências dos meus atos.

               Digo ainda que sempre me identifiquei com Política Externa da Revolução e que assim permaneço. Que no lugar que eu estiver sentirei a responsabilidade de ser revolucionário Cubano e agirei como tal. Que não deixo aos meus filhos e minha mulher, nada de material, e isto não me aflige; alegra-me que assim seja. Que não peço nada para eles, pois o Estado dará o suficiente para viver e educar-se. Teria muitas coisas a dizer-te, a ti e ao nosso povo, mas sinto que são desnecessárias; as palavras não podem exprimir o que eu sinto, e não vale a pena sujar mais papel. ATÉ VITÓRIA, SEMPRE. PÁTRIA OU MORTE. Abraça-te com todo o fervor revolucionário. Ché.

              Esta carta foi lida por FIDEL na Praça da Revolução de Havana, por ocasião da apresentação do COMITÊ Central do Partido Comunista Cubano, no dia 03 de Agosto de 1965. Naquela ocasião, a CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos da América do Norte) espalha ao mundo inteiro ter sido o herói guerrilheiro assassinado pelo Comandante Fidel Castro.

              Face às novas ameaças do Império Ianque ao povo do Iraque, torna-se muito atual este documento histórico, precisamente aos 35 anos do seu assassinato na Bolívia (28/10/1967), pelos agentes da CIA  e os esbirros do ditador Renné Barrientos.

             Observação: A crise do Caribe- Em Outubro de 1962, os ianques  ameaçam com nova invasão a Cuba QUE INSTALARA MISSEIS NUCLEARES NA Ilha para sua própria defesa, com apoio da União Soviética.

                 Itaporanga, Parahyba do Norte, Novembro de 2016.

                                                                                             Paulo Conserva

     

     

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    Em 11/11/2016

     

    Grande líder, Talarico

     



                 Neste dia 11 de Novembro de 2016 o líder brizolista na ALERJ/ Assembléia Estadual do Rio de Janeiro, José Gomes Talarico, completaria 101 anos se vivo ainda estivesse.

                Com ele conviví durante alguns anos na chefia do seu gabinete durante a gestão do então Governador Leonel Brizola. REMEMORAMOS esse personagem que marcou história na vida pública brasileira. CONHEÇA O TALARICO.

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    Em 01/10/2016

     

    DECLARAÇÃO DE VOTO

     



                  Curtindo uma espécie de “retiro espiritual” aqui em João Pessoa, além de visitar bibliotecas e livrarias, o majestoso Sebo Cultural inclusive, sob a guarida do nosso incansável Heriberto Coelho de Almeida, que atualmente organiza uma equipe de especialistas com vistas a empreender uma longa caminhada cultural por todo o interior do Estado, a começar, talvez, por Campina Grande – que não se aborreçam os vaidosos campinenses por interiorizar a tão badalada Rainha da Borborema – atravessando o Vale do Piancó, região abençoada pelo saudoso e carismático Padim Padi Ciço Romão Batista, na qual se insere minha querida Itaporanga - Pedra Bonita em tupi-guarani, fiquei matutando outro dia sobre o pleito eleitoral que já bate às nossas portas, bem como às portas dos habitantes de mais de cinco mil e quinhentos municípios brasileiros alertando para a importância de prefeitos e vereadores- executivos e legisladores que, se não salvarão a Pátria em dificuldades, ao menos manterão as aparências de uma Democracia civilizada.
                 Sobre a visita do Sebo Cultural ao Sertão me alongarei n’outra oportunidade, com mais detalhes, já que o foco desta minha apressada crônica gira em torno do pleito eleitoral de 02 de outubro.
                  Quantas saudades minha geração setentona sente hoje das eleições tradicionalmente “festejadas” no dia 03 de outubro que não mais ocorrem como anteriormente. Resgato nos retalhos ainda bem vivos da minha memória a eleição presidencial de 1955 quando nossa venerada e hoje saudosa Dona Branca, um papel na mão, dando voltas nas amplas instalações do perfumado Novo Armazém  do patriarca Zé Conserva sem saber em que votaria, duvidava. Peguei-a pelo braço, arrastando-a ao fundo da loja e lhe sugeri votar em J.K.
                - Esse candidato é bom? – Perguntou-me cheia de confiança.
    - È o melhor entre todos, minha mãe – respondi-lhe entusiasmado, pois, por aqueles dias, acompanhei pelo velho rádio Philips paterno um comício do PSD – Partido Social Democrático em Fortaleza, quando o líder politico mineiro apregoara a meta de avançar cinquenta anos em cinco, refletindo o sonho maior de Brasília.
                   E Dona Branca sorriu de contente. Minutos depois, sem precisar mais de ninguém, atravessou a rua e se dirigiu ao Mercado Público à procura das urnas eleitorais.
                  De lá para cá muita coisa mudou: em março de 64 houve o golpe militar contra o presidente Goulart; em 1979 aconteceu a Anistia promulgada pelo general Figueiredo; a batalha cívica pela reabertura, eleições gerais, amplas e as diretas já...
                 Atualmente, diante do queixume generalizado contra os políticos, pois, segundo a Vox Populi, “todos calçam 40”, ainda nos resta tempo para repensar nosso voto, pois neste momento estarrecedor de corrupção generalizada, ainda podemos vislumbrar raríssimas exceções.  Sugiro que não anule seu precioso voto cidadão. Cumpra o seu dever cívico, embora a contragosto, já que o “Império da Lei” impõe-nos o chamado voto obrigatório.
                  Disputam as eleições de 02 de Outubro de nossa terra três candidatos. Atenho-me ao colega jornalista Sousa Neto que, inclusive, disputou votos para a Assembleia do Estado, obtendo uma apreciável votação, já que nunca o fizera antes. De suas 50 propostas para romper com 25 anos de atraso, tomei conhecimento no boleto VOTE 50 - A VERDADEIRA MUDANÇA – onde o candidato Sousa Neto aborda Educação, Cultura e Esporte, bem como Saúde e Inclusão Social, Saneamento, Mobilidade e Urbanismo, Água e Meio Ambiente, fazendo-me recordar do saudoso pombalense Celso Furtado no governo Goulart, também de saudosa memória.
                Reconheçamos que a batalha pelo voto cidadão é realmente pesada. A formiga contra o leão é o que simbolizam o colega jornalista Sousa Neto e o pequeno comerciante Airton Viriato. Por isto mesmo vale à pena à refrega política que se aproxima ousar sempre... desistir... nunca.

                                                                                 Paulo Conserva – escritor e jornalista

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    Em 12/10/2013

     

    SÓ A UNIÃO EM DEFESA DA SOBERANIA NACIONAL PODE UNIR UMA NAÇÃO

     



    Manifesto em apoio à Comissão Nacional da Verdade. Sabemos, todos os que sofremos as agruras e as torpezas do regime civil militar, instalado a partir de 01/04/64, a importância desta honorável comissão.
    A presidência da república decidiu instalá-la no momento em que, a correlação de forças e os fatores, histórico, político econômico e social, lhe deram respaldo para fazê-lo.
    O pleno emprego, a retirada da miséria extrema de cerca de trinta milhões de pessoas, a ascensão galgada por quase sessenta milhões de brasileiros, não aconteceram por acaso. Foram frutos do esforço nacional, que alterou a ação econômica internacional do Brasil, saindo da esfera de dependência dos Estados Unidos da América e partindo para outros mercados, com negociações mutuamente vantajosas, o que nos proporcionou as possibilidades destas importantes evoluções, no nosso progresso social.
    Claro que esta nova realidade atormenta as pretensões dos extratos privilegiados pelo regime civil militar, por suas relações incestuosas, com os interesses das multinacionais no Brasil.
    A alternância pela alternância no poder não cabe mais na nossa realidade. Os brasileiros, pela primeira vez na sua história, vivem este momento, que só tem que avançar no sentido do melhor para todos.
    A função da Comissão Nacional da Verdade está trilhando o caminho das audiências públicas, para animar a sociedade e fazê-la ver que estes vinte e um anos de terror, da nossa história recente, tem que ser esclarecidos, para o bem da nossa paz social.
    Exortamos a celeridade dos depoimentos privados dos muitos brasileiros ainda vivos, com seus testemunhos sobre o que sofreram, para ajudar a tornar o país o que é hoje. Esta possibilidade proporcionada pelas oitivas da comissão da verdade orgulha a todos os lutadores, porque nunca transigimos com a nossa soberania e os interesses nacionais.
    Só a título de exemplo da subserviência do regime civil militar, a sua primeira ação foi enviar tropas do Brasil para, juntamente com os Estados Unidos da América, invadirem a República Dominicana. Em seguida, extinguiram a estabilidade do emprego da classe trabalhadora, imposição das multinacionais e seus testas de ferro, para achatar seus salários e multiplicar seus lucros escorchastes, além de liberar as remessas de lucros para o exterior.
    Foram vinte e um anos de subserviência, incompetência e terror.
    A postura das falanges golpistas foi, seguindo a cartilha imposta da ideologia de segurança nacional dos Estados Unidos, colocar internamente as forças armadas do Brasil como verdadeiras tropas de ocupação, que nos momentos mais truculentos recebiam instrutores de métodos de torturas, a serem praticadas contra o nosso povo.
    Os torturadores e assassinos sabem que foram usados como fantoches pelo império, contra o nosso país.
    É fundamentalmente por este fato que fogem dos depoimentos junto a Comissão da Verdade.
    O caldo de cultura de impunidade, ainda hoje impregna nossa sociedade e instituições, com gerações de meia idade, com suas consciências formadas no regime militar, alienadas ao consumismo exacerbado, tendo Miami como Meca. Nós, marinheiros e fuzileiros navais e demais militares, que compõem nossa entidade, honramos nossas instituições armadas, participamos das festas e desfiles dos veteranos com emoção e orgulho.
    É por isso que sugerimos aos nossos novos comandantes militares a não continuidade de acobertamento dos torturadores, a abertura dos arquivos e a devolução dos corpos dos desaparecidos.
    As nossas forças armadas não podem continuar sendo maculadas por atos praticados por indivíduos que não as representam, só as enlameiam.
    As nossas forças armadas devem ser céleres em preparar os jovens militares, com uma visão do mundo sobre a ótica dos nossos interesses nacionais. A vastidão do nosso território exige que assim seja.
    Neste contexto, a UMNA vem pleitear junto aos órgãos e autoridades, a quem cabe a nomeação dos componentes da Comissão Nacional da Verdade, a manutenção na coordenação da mesma, da eminente doutora Rosa Cardoso, que nos tem honrado com posturas firmes, coerentes e comprometidas com a finalidade dos trabalhos que a comissão deve ter, para virarmos com honra esta página intragável da nossa historia.
    Rio de Janeiro, 28 de agosto de 2013.
    Unidade & Mobilização Nacional pela anistia - UMNA
    Wanderley Rodrigues da Silva – Presidente

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    Em 17/02/2013

     

    Saudades do Exílio (II)

     



    A cada dia que passa a gente vai aprendendo belas e alentadoras lições de vida através da boa leitura. Foi o que aprendi recentemente com o Doutor Dráuzio Varela, humanista antes de tudo, não apenas no exercício da Medicina, solidário que sempre tem sido com as camadas sociais mais humildes do nosso povo, mas também como renomado escritor, uma dezena de obras nas melhores livrarias do nosso país e do exterior, traduzidas a vários idiomas: “O homem é o conjunto dos acontecimentos armazenados em sua memória e daqueles que relegou ao esquecimento”. Exulto e sublinho tal assertiva no livro Carcereiros, obra que recomendo, editada pela Companhia das Letras.
    Ainda estou no México onde conheci outros exilados brasileiros e reencontrei colegas das forças armadas, Exército, Marinha e Aeronáutica –em similares condições, além de muitos civis homens e mulheres, vítimas da feroz repressão golpista.
    O padre Francisco Lage já velhinho, cabelos brancos nevados pelo tempo, de vez em quando usava a bengala para celebrar missas na paróquia proletária do bairro de Monctezuma. Carpia seu desterro porque defendera o governo deposto do presidente João Goulart. Como senão bastasse a ousadia de defender “aquele comunista“ nas Minas Gerais de Magalhães Pinto et caterva – coronéis Olímpio Mourão Filho, Carlos Luiz Quedes e o velho José Bragança, vinculara-se a Francisco Julião incentivando as Ligas Camponesas na luta pela reforma agraria, na Lei ou na marra como se dizia então.
    Certa feita, entusiasmado, convidou-nos (a mim), Raimundo Correia de Oliveira (já falecido) Adelzito Bezerra e Edilton Zandavale Suarowski todos ex-marinheiros à exceção do pernambucano RCO a quem mais tarde identificaríamos como informante do Cenimar – Centro de Informações da Marinha - , a acompanhá-lo na visita festiva aos seus paroquianos. Já conhecendo a Tequila notei que padre Lage, discretamente, gole a gole, provava daquela bebida sem exagerar.
    - Meus filhos ... não se embriaguem – aconselhava sorrindo, sua pele gringa ( parecia um alemão) avermelhava.
    Foi naquela noite que conheci Irma Álvarez, funcionária pública em Cuernavaca onde vivia o companheiro Francisco Julião. Uma coisa puxava a outra. E deu no que deu: namoro à primeira vista.
    Foi assim que tentei esquecer Ritinha, minha noiva carioca, agora decepcionado com as cobranças constantes da Bemoreira em cuja loja de Cascadura fizera-me devedor de móveis, geladeira, cama e colchão, e outros bens duráveis inclusive algumas ações que comprara naquela grande empresa tudo mais tarde confiscado por minha inadimplência. Em consequência, cai no fundo do poço, meu nome enlameado sem crédito na praça, muito menos ainda com minha ex-futura sogra Darcília praticante fervorosa do Espiritismo a comentar com a vizinhança de Vaz Lobo e adjacências que só podia dar naquilo, “o noivo da minha filha enrolado com os comunistas”.
    Ritinha escrevia-me chorando colocando –me a par de tudo, frustrada com tamanha desilusão. Meses depois se casaria com um italiano com o qual teria um filho e logo viria o divórcio no mar revolto de desencontros sentimentais. Anos depois minha ex noiva Ritinha se casaria com um também viúvo Major reformado do Exército Brasileiro, passando a morar em Copacabana. Através de amiga comum, desejei-lhe muita saúde, paz e felicidades. Na minha graduação de Marinheiro de gola jamais tivera as condições de um oficial superior do Exército em termos materiais.
    A mexicana Irma Álvarez me consolava e eu fazia o possível para esquecer Ritinha. A cada dia a chama do meu amor por ela foi esfriando até apagar-se para sempre da minha memória.
    Eu amava Irma Álvarez......
     

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    Em 28/01/2013

     

    Saudades do Exílio

     



    Escrever assim de supetão, sem mais nem menos, abruptamente, com o título acima – suponho eu – deve surpreender o meu contrariado leitor, achando-me contraditório e inconsequente, pois, no seu entender, "Saudades devia ter tido da nossa pátria enxovalhada em 1964 de onde foi enxotado com outros comunistas e não do dourado exílio cubano sob as barbas de Fidel Castro, bem alimentado pelo ouro de Moscou que não existe mais”.
    Equivoca-se rotundamente quem assim pensa e, consequentemente, reage, pois é ela, a saudade, um nobre sentimento celebrado pelos poetas em todos os recantos do mundo embora amargure o coração de todos os entes queridos que nos rodeiam. É dessa saudade que sinto, falo e escrevo.
    Saudades de miss Mariel Mitchell, aquela milionária norte-americana, beirando a casa dos oitenta anos, que, generosamente, concedeu-me o primeiro emprego remunerado na cidade do México dois anos depois do golpe militar no Brasil.
    Na verdade ela precisava de um jardineiro, colocou anúncio no jornal Excelsior da capital mexicana cujo amassado recorte lhe apresentei na secretaria da Coronett Hall Scholl localizada no aprazível Parque España.
    Católica fervorosa, ouviu-me atentamente e decidiu aproveitar-me a trabalhar na biblioteca estudantil do seu colégio, – cerca de três mil alunos – concedendo-me ainda uma bolsa de estudos com salário mensal de hum mil e trezentos pesos mexicanos.
    Se para aquela veneranda católica seu gesto para comigo fora uma caridade cristã, com direito a registro no boletim celestial, para mim significou uma espécie de milagre que me acompanharia anos a fio nos meus quinze anos de exílio.
     

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    Em 18/01/2013

     

    Confidências

     



    Outro dia – e isto não muito tempo assim – conversando a sós com meus botões, eles me revelaram em tom de solidário alerta que pensasse bem em mim mesmo, na minha saúde abalada e providenciasse cuidados médicos de urgência, pois não era mais um adolescente chio de expectativas e sim, um homem da terceira idade, setenta e um anos completos et cetera e tal, e quando me dei conta estava a conversar com eles como se figuras humanas fossem.
    - É mesmo, eu tenho que fazer um check up, disse em voz alta surpreendendo a zelosa mana Lucinha, que acabara de chegar da feira visivelmente exausta, uma sacola na mão, um pacote de remédios na outra, a perguntar-me de surpresa se eu estava falando só. Contei-lhe o que se passava, ela sorriu e de pronto confirmou viajar com dona Branca a exames médicos na Capital, colocando-me no mesmo pacote, que incluía visita ao doutor Hellman Campos Martins, meu cardiologista, “que deve lhe passar vários exames”, acrescentou, dizendo ainda que não brincasse não.
    - Com o coração enfartado não se brinca, advertiu solidária com meus botões.
    Não fosse Lucinha, braço direito da nossa família, cá não estaria eu a revelar aos poucos que me lêem estas confidências pessoais sobre a minha saúde, felizmente ainda não de toda comprometida.
    Pegamos a estrada rumo a João Pessoa, quatrocentos e vinte quilômetros de distância, com o querido amigo Josenildo Tolentino, controlando o timão que não era o do Corinthians, cuja endiabrada torcida sacudiria a nação com tanto fanatismo futebolístico.
    Chegamos bem à Capital e conjuntamente com dona Branca freqüentamos várias clínicas, ela com 98 anos muito melhor do que eu, apesar da cirurgia do fêmur direito sob controle, tendo o anda já como seu guia, a sorrir para todo mundo sofrendo apenas saudade imensa de seus gatinhos de estimação, coincidentemente também doentes.
    Quanto a mim, nada de grave! Apenas uma dezena de medicamentos diários, uma caminhada diária, uma dieta relaxada com volta ao urologista próximo dia 30 e oftalmologista a 1º de fevereiro, enquanto devo tentar baixar estes 86 quilos que me preocupam.
    Amigos, nada de muito grave, apenas um oportuno alerta.

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    Em 22/12/2012

     

    “A urgência de viver” – o discurso do Rabino para o Ano Novo

     



    Em momentos tão solenes de congraçamento universal, repasso aos leitores esta bela mensagem cuja autoria desconheço: lê-la e assimilá-la nos reconforta o espírito, alegra-nos os corações e massageia o nosso ego.
    “Todas as vezes eu observo os seus rostos e vejo algo indefinível em suas expressões. Sei lá, um misto de alegria e tristeza... não sei se “tristeza” é a palavra certa, talvez “apreensão”. Antigamente eu não entendia o porquê.
    Hoje, um pouco mais vivido, um pouco mais sensível, acho que consigo compreender. A matemática da vida não é simples. Cada soma é também uma subtração. Quando somamos mais um ano àqueles que já vivemos, subtraímos um ano daqueles que nos restam para viver. Então, a felicidade de estarmos aqui hoje vem acompanhada de melancólica percepção de que o tempo voa e a vida passa.
    Nesta hora, talvez, mais do que em qualquer outra, sentimos a urgência de viver. Teddy Kollek, o dinâmico prefeito de Jerusalém, propôs em sua autobiografia um décimo primeiro mandamento: “Não serás paciente”. À primeira vista, tal conselho parece ir contra uma das qualidades mais valorizadas pela humanidade – a paciência é uma virtude!
    No entanto, ao refletirmos sobre as palavras de Kollek, percebemos que elas contêm uma grande sabedoria. A impaciência é necessária para remediar a nossa tendência tão humana de protelar. Pois a verdade é que, em muitas áreas vitais da nossa existência, somos pacientes demais.
    Esperamos demais para fazer o que precisa ser feito, num mundo que só nos dá um dia de cada vez, sem nenhuma garantia do amanhã. Enquanto lamentamos que a vida é curta, agimos como se tivéssemos à nossa disposição um estoque inesgotável de tempo.
    Esperamos demais para dizer as palavras de perdão que devem ser ditas, para por de lado os rancores que devem ser expulsos, para expressar gratidão, para dar ânimo, para oferecer consolo.
    Esperamos demais para ser generosos, deixando que a demora diminua a alegria de dar espontaneamente. Demoramos demais para ser pais dos nossos filhos pequenos, esquecendo quão curto é o tempo em que eles são pequenos, quão depressa a vida os faz crescer e ir embora.
    Esperamos demais para dar carinho aos nossos pais, irmãos e amigos. Quem sabe quão logo será tarde demais? Esperamos demais para ler os livros, ouvir as músicas, ver os quadros que estão esperando para alargar nossa mente, enriquecer nosso espírito e expandir nossa alma.
    Esperamos demais para anunciar as preces que estão esperando para atravessar nossos lábios, para executar as tarefas que estão esperando para serem cumpridas, para demonstrar o amor que talvez seja mais necessário amanhã. Esperamos demais nos bastidores, quando a vida tem um papel para desempenharmos no palco.
    Deus também está esperando – esperando nós pararmos de esperar.
    Esperando nós começarmos a fazer agora tudo aquilo para o qual este dia, esta
    vida, nos foram dados.
    Meus amigos... “É hora de viver”.
     

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    Em 11/12/2012

     

    Recife, 17 de outubro de 2011

     



    Olá, meu caro Paulo:
    Faz um tempo que não me comunico com você, mas aqui vai uma pergunta: conhece ou já ouviu falar do Nim? Se não, trata-se de uma árvore originária da Índia, de boa madeira, muito resistente à seca e de múltiplos usos – uma verdadeira arbre de la vie para os indianos.
    Pois é este Nim o responsável por eu ler menos do que gostaria (acostumei-me a ler dois ou três livros simultaneamente) e por me isolar em grande parte do tempo livre plantando-o no meu sítio, que se chama Pau-Brasil. Sou apaixonado por árvores.
    No início da década de 1980, em Brasília, tive o privilégio de estudar relações internacionais, e naquela época já se falava na China como ator de peso crescente no cenário mundial. Éramos vinte e dois aprovados em concurso nacional promovido pelo Ministério das Relações Exteriores, para atuar nos setores comerciais de representações diplomáticas, portanto, gente de todos os quadrantes brasileiros, com maior quantidade de paulistas e cariocas, sem surpresas, pelo acesso mais fácil às obras técnicas e seminais que possuíam em sua preparação, além de mais farta disposição de fontes de pesquisa. Do Nordeste, apenas eu e outro. Recordo vivamente de um grupo muito reservado e antipático, formado por uma paulista, a líder, e outros três seguidores da mesma cepa, de fato pessoas bastante preparadas e familiarizadas com as matérias que compunham a grade curricular e se considerando a nata dos pós-graduandos. Muitos dos outros, de índole mais amigável (e assim eu me considerava naquele tempo), demo-lhes o apelido de a Camarilha dos Quatro – em alusão ao grupelho liderado pela esposa de Mão Tse-tung (Jiang Qing), julgado e condenado à prisão anos após a morte de Mão em 1976. Ah, bons tempos aqueles em Brasília.
    Adotando um pragmatismo digno de um grande país capitalista, a China começava a se modernizar economicamente sem abdicar da mão de ferro pairando sob a política, verdadeira espada de Dâmocles a ameaçar a sociedade. Paulo, os números do desenvolvimento chinês são impressionantes: a forte mudança que já aconteceu nas relações econômicas internacionais tornar-se-á mais contundente no jogo de poder político em alguns anos mais à frente, e isso me preocupa. Nesta revista, encontrei bons artigos esclarecedores do que era, do que é e será a Grande Muralha. Aprecie sem moderação!
    Um forte abraço, Canrobert C. Palmeira.
     

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    Em 30/10/2012

     

    REMOENDO A HISTÓRIA

     



    Publico artigo que recebi do advogado José Tarcízio Fernandes. Vejam-no na íntegra:
    Anselmo, Deus e Barrabás
    Dele, sabem pouco as novas gerações. E as gerações recuadas no tempo, menos ainda até abril de 1964, quando o golpe militar derrubou o governo de João Goulart e implantou a mais longa ditadura da história deste país.
    Estamos em 25 de março de 1964. Marinheiros e fuzileiros navais em quantidade chegam à sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Estado da Guanabara. Comemoram o segundo aniversário de sua associação, criada para ser porta-voz das suas reivindicações.
    Arrebatado, um militar toma o microfone e começa a sua fala. Jovem, simpático, palavra fácil, incisivo no que diz, consegue levantar o entusiasmo de quantos atentos o ouvem. Em poucos minutos, sua contundência verbal contra os reacionários e em apoio às reformas de base anunciadas pelo presidente João Goulart, fez erguer os punhos cerrados de todos; e todos ecoaram palavras de ordem em defesa da política nacionalista do governo, que seria deposto 6 dias depois.
    Era esse jovem quem de repente se tornaria o famoso Cabo Anselmo. Famoso porque desencadeou uma das mais graves crises militares do Brasil. Famoso porque soube com desenvoltura e maestria desempenhar depois o triste papel de indicar, às forças da repressão, muitos daqueles que combatiam a ditadura e com quem convivia, para que fossem presos, torturados e fuzilados.
    Não foi ele um traidor, porque sempre foi, infiltrado nos movimentos de esquerda, um fiel prestador de serviços aos militares, antes mesmo do golpe. Como ele mesmo confessou, mais de 100 pessoas caíram nas mãos dos órgãos de segurança da ditadura, graças ao seu eficiente trabalho de denunciá-las. No Brasil, no Chile, no Uruguai, em Cuba, onde treinou guerrilhas travestido de opositor do regime, era somente olhos e apontamentos para ver e informar.
    Segunda-feira, 18, foi ele o entrevistado do programa Roda Viva, da TV Cultura. Quis justificar-se perante a nação, dizendo-se tranquilo de consciência. Não se arrepende de nada. Entregou seus “companheiros” para evitar uma guerra civil, afirmou. Os que foram presos, torturados, mortos buscavam a convulsão social e o derramamento de sangue entre irmãos. Mas Deus o iluminou nessas horas de intenso trabalho (?!?), abrindo caminhos ao êxito da repressão. Noutro depoimento que deu, o delegado Fleury – notável pela crueldade dos métodos de torturar e matar presos políticos – “(...) era, acima de tudo, um idealista. Ele contribuiu para frear a insanidade, utilizando, muitas vezes, a lei de Tabelião. Era uma pessoa fascinante. Um lado profissional duro, utilizando o que estivesse ao seu alcance para fazer a faxina que lhe fora confiada pela história”.
    Nada mais precisava ele acrescentar para convencer o país de que, se nunca foi Barrabás nos meios em que se infiltrou, foi Calabar de um tempo histórico. Realmente, as gerações da sua época não sabiam dele. Essa extravagante faxina era ceifar vidas dos que combatiam a ditadura. Foto (Reprodução/Band): cabo Anselmo.
    José Tarcízio Fernandes, advogado.
    jtf@veloxmail.com.br

     

     

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    Em 20/10/2012

     

    A Leitura: Um Hábito Salutar

     



    Há poucos dias, em conversa amena com o amigo professor Régio Jório de Andrade - a quem reputo seriedade profissional, além de verdadeira dedicação e empenho na sala-de aula visando a formação dessa nova geração que nos circunda a diário-, veio à tona, e não poderia ser diferente, a falta de interesse da nossa juventude no tocante a leitura, interpretações de textos, etc. Dificultando ainda mais o seu desenvolvimento escolar justo na fronteira dos rigorosos vestibulares.
    - Limitações metodológicas ou do professor? – indaguei perplexo. - De ambas as partes – foi sincero o meu amigo Jório de Andrade, acrescentando que, com raríssimas exceções, observa um ou outro colega mais interessado na própria superação e, em conseqüência, dos seus pupilos. Disse-me ainda não haver incentivo oficial como seminários, conferências, congressos, etc. abordando tema tão abrangente. Aproveitou a deixa para convidar-me a participar de um projeto ousado, ainda no papel, que pensa executar junto aos seus alunos em sala-de-aula, inclusive com projeções cinematográficas sobre “a história recente deste país”. Claro que me animei a coadjuvá-lo na medida do possível. Não faria o mesmo com um colega seu que, em eleições anteriores a estas do último 03 de outubro, pedindo votos para a vereança municipal, dissera em comícios que, se eleito, colocaria urnas nas salas-de-aula para que a estudantada escolhesse o grupo musical de sua preferência “para o maior São Pedro do Vale do Piancó”. Voltando ao que de fato nos interessa, tenho em mãos um livro precioso patrocinado pela Academia Cearense de Letras em convênio com o Colégio 7 de Setembro de Fortaleza, uma “iniciativa das mais louváveis de seus dinâmicos diretores Ednilo e Ednilze Soárez” como atesta o escritor Arthur Eduardo Benevides, presidente da A.C.L. Trata-se de A Palavra Nossa de Cada Dia, com textos dos alunos e professores do mencionado colégio das cultas terras alencarinas. Oportuno se faz destacar o testemunho do Dr. Edílson Brasil Soárez, “in memoriam”, pilastra mór dessa casa do saber: “O jovem entra no Colégio 7 de Setembro para educar-se e sai para vencer na vida. A principal lição que infundimos em nossos alunos é a da confiança em si mesmos e do aproveitamento de suas possibilidades individuais. E depois, enviamo-los para a vitória, para a conquista de uma posição definitiva na vida. E não temos errado, graças a Deus”.
    Dentre dezenas de trabalhos editados em A Palavra Nossa de Cada Dia, escolhi à revelia o da jovem Renata de Carvalho Kinjo, da 3ª série do Ensino Fundamental/Turma 7, não apenas pelo seu texto conciso como ainda pela importância do livro na vida das pessoas, precisamente o tema desta crônica quinzenal: E o que nos ensina a jovem Renata? “O livro é muito importante, pois ele é o conhecimento da humanidade. Sendo assim, sem o livro não saberíamos o certo e o errado. Ele nos mostra a natureza, a antiguidade e muitas coisas boas, mas dificilmente ele nos mostra a violência. Ele nos dá criatividade e desenvolve a inteligência. O livro para as pessoas é essencial como um pai e uma mãe. Ele é uma verdadeira forma de viver, nos dá coragem de lutar pela vida, não é que os amigos não ajudem, mas o livro acalma, nos dá esperança nas horas de dificuldades. Ele indica a cura das doenças, indica o caminho da verdade, indica o caminho de Deus. Ser um amigo do livro é ser um amigo da vida. Com o livro aprendemos a ler e a escrever, pois o livro é um verdadeiro amigo”.
    Meus caros, se vocês chegaram até aqui, que dizer lhes diante de uma neo-escritora de nove, dez anos? Não posso, senão, ufanar-se e acreditar sinceramente no sadio projeto do amigo Professor Régio Jório de Andrade. Que demais docentes de nossos colégios o acompanham com afinco em tão valiosa jornada. O futuro não nos pertence e sim às nossas crianças, cuja efeméride celebramos neste dia 12 de outubro, quase às vésperas (dia 15) do Dia do Professor.
    Texto originalmente publicado em edição impressa do jornal Folha do Vale, de 27 de outubro de 2004. Foto (www.folhadovali.com.br): estudante durante leitura na biblioteca da Fundação José Francisco de Sousa.
     

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    Em 14/10/2012

     

    Vergonha contra dinheiro

     



    Com quatrocentos e trinta e sete votos conquistados nas urnas eleitorais do último dia 7, o colega jornalista e escritor Sousa Neto (PRB) salvou a honra do nosso pleito não tão ficha limpa assim, uma vez que seus adversários, num autêntico despudor cívico, fizeram girar suas roletas sob o suspeito e fraudulento adágio de que “é dando que se recebe”.
    Que pena! Quanta vergonha.
     

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    Em 25/09/2012

     

    REFLEXÕES PRÉ-ELEITORAIS

     



    Após meditar um pouco, convido meus eventuais leitores e leitoras a uma necessária reflexão, senão a várias reflexões pré-eleitorais. Admitamos que a realidade política provinciana seja mera ficção alimentada por mirabolantes fantasias, além de renovadas e por demais conhecidas promessas rotineiras de animados palanques, seja de que lado for; convenhamos que isso é próprio da Democracia Burguesa cuja essência fundamental – Liberdade, Fraternidade, Igualdade -, há muito foi soterrada pela demagogia sem limites, corrupção desenfreada, a corroer o erário público, sem contar com o inflamado chauvinismo provinciano a atiçar nos segmentos menos afortunados um sentimento de orgulho próprio e desmedidas vaidades barristas. Senão, vejamos: com as forjadas emancipações políticas de miseráveis arruados e vilarejos objetivando fortalecer suas bases eleitorais no interior da Província, alguns parlamentares já preveem a eleição de filhos, genros, netos e noras no município emancipado pelo fórceps demagógico de um discurso ardilosamente elaborado em gabinetes oficiais. A tal ponto que, solenemente, ao se inaugurar determinada emancipação política, enfatiza-se sua “libertação” do município desmembrado. Libertações de quê? Pura demagogia que não fica apenas nesse patamar. É certo que certas denominações oficiais como “CIDADE SORRISO”, “RAINHA DO VALE” e outras tantas desse padrão revigoram a autoestima de seus habitantes embora nem sempre sejam correspondidas na prática com reais avanços econômicos e sociais.
    SOPAS DE LETRAS – Incontáveis siglas partidárias cujos ideários são totalmente desconhecidos do homem ou da mulher comum confundem ainda mais esses “deserdados da sorte” que aprenderam a depositar seu valioso voto em troca de alguma coisa.: seja um botijão de gás, uma feirinha na bodega do “Coronel Justino” ou ainda um medicamento na farmácia ardilosamente “conveniada”, de conformidade com um código não escrito embora verbalmente formalizado entre o (s) candidato (s) e respectivos comerciantes preocupados com gordas faturas. Se os partidos políticos dispõem de uma verba especial de campanha, para os candidatos a sua quota, por quê não se superfaturar as notas fiscais, isto quando estas existem? E assim vaga o eleitorado sertanejo como que anestesiado nessa imoral subasta pública do sagrado voto, à cata de quem dá mais, uma vez convencido da necessidade de aproveitar o momento político, pois outras eleições somente ocorrerão daqui a dois anos. Constrangido, confesso ter tido um dissabor profundo quando uma senhora enferma que periodicamente faz tratamento médico em João Pessoa pediu-me para pagar sua passagem até a Capital. Subitamente, para demonstrar que não mentia, mostrou-me um dos flácidos seios chagado e, enquanto a reprochava pelo seu brusco gesto, disse-me ela ter seis votos em sua casa.
    - Senhora, acabou nossa conversa. Já estava disposto a lhe ajudar como sempre o faço, desinteressadamente.
    - Cuma que vô pagá u sinhô si num tenho dinheiro. Lá em casa tem seis votos e como o sinhô num é candidato pode dizê o nome pruquê lá em casa tem seis voto... – novamente agrediu-me sem querê-lo. Pobre mulher sertaneja, sem maldade, ingênua, até aqui explorada pelos “salvadores da pátria, com p minúsculo mesmo”! Letícia entrou na conversa, deu-lhe pequena ajuda e disse àquela humilde senhora que não falasse assim “com Paulo, pois ele tem nojo dessas coisas”.
    - Do meu câncer, muié?
    - Não, dona... de quem compra e vende votos... – e sorriram as duas. E foi precisamente porque compreendi a pobre velhinha doente que passei a noite com aquilo martelando a minha cabeça, com náuseas dessas imundas práticas políticas.
    FRASE – “Se o voto vale cimento, feijão, pão, favor e emprego, não vale nada. Se for pela consciência, pode ainda valer a salvação do povo”. (Frase de pára-choque de caminhão). Texto: reedição. Foto: autor.


     

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    Em 20/03/2011

     

    Meu querido amigo

     



    Querido amigo jornalista e escritor Paulo Conserva, em primeiro lugar quero agradecer a você e sua querida mãe, que tive o prazer de conhecer por foto na Revista Brasília, onde, de próprio punho, ela me manda uma rica mensagem e a você que nos manda, através da Folha do Vale, as notícias desta cidade e deste Estado, berço de grandes intelectuais e de patriotas, dentre tantos, você.
    Hoje lhe escrevo para dizer a Paraíba que um filho seu, seu amigo, cidadão do mundo, pois é conhecido e reconhecido pela sua competência em Londres, onde faz parte da Academia Britânica de Neorologia, na Itália e na Alemanha, vai ser homenageado em Guarulhos, com o honroso Título de Cidadão Guarulhense, não só pelo médico competente que é, mas também pelo bom coração que possui, dedicando parte do seu tempo assistindo pessoas com necessidades especiais, pessoas da terceira idade. Dele tornei-me paciente após ser alvejado a tiros por uma Patrulha da Base Aérea.
    Devo a este amigo que, incondicionalmente, me assiste em seu consultório particular, sem que eu nada lhe pague. Sempre me pergunta sobre você. Neste dia, cuja cerimônia está para ser marcada pela vereadora Silvana Mesquita, vou lhe prestar uma homenagem apresentando em plenário este poema que fiz ao nobre neorologista, Dr. Jeová Barros da Silva, filho da sua cidade e do seu Estado, agora acolhido por nós como cidadão guarulhense.
    Gostaria que você, em homenagem a ele, publicasse este poema Eu... Emoção... Razão..., de minha autoria. Este poema é um retrato vivo do que a ditadura, com seus abusos e desmandos, fizeram aos filhos desta bela Pátria, ceifando o amanhã de tanta gente.
    Agora ao lhe escrever, me emociono e choro por tudo que eu e muitos outros perderam “a vida, a saúde”.
    Desde já o meu respeitoso abraço. Um beijo carinhoso à Dona Branca. Do sempre amigo Ibrahim Khouri.

    Eu... Emoção... Razão...

    (Homenagem ao nobre amigo e médico neurologista Dr. Jeová Barros da Silva)

    Estes dados inseguros do presente,
    Tornam vacilantes, os meus sentidos.
    Da repressão são frutos originários
    E eu os percebo quando, silenciosamente,
    Escrevo, tentando encontrar meu eu perdido,
    A um só tempo, mutável e permanente,
    Sou o prisioneiro na unidade dos contrários.

    Ora, na louca euforia, sinto a vida,
    Ora na forte angústia, a luz da morte.
    Em curto tempo, as duas realidades:
    Quando uma me incorpora atrevida,
    - um farol, um porto, um novo norte-,
    A outra, em mim tão ofendida,
    Submerge-se às fontes tão incertas,
    Com a triste ilusão da liberdade.

    Mas enche-me o vazio a descoberta,
    Pois entre sonhos, desejos e lamentos,
    A fantasia! Um nada! É o que temos.
    E meu corpo ora frágil, ora lento,
    Equilibra-se entre as forças dos extremos.

    E o que sinto faz-me judiar de um amigo
    - o único presente que me deu a ditadura –
    Ele e outros suavizaram este castigo,
    Não foi só com comprimidos e remédios,
    - o atendimento preciso e com ternura –
    Fez-me ressuscitar, talvez, quiçá
    E eu que sempre me portei como um ateu,
    Deixando de acreditar que existe um Deus,
    Aqui, sempre fui tratado por Jeová.
    Poeta A. Ibrahim Khouri
     

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